SURFE DE LONA BRASIL TOUR | Igor Vidor + Ateliê Aberto

06/05/2011

Ação
Artista: Igor Vidor
Local: Lagoa do Taquaral [Campinas] e Minhocão [São Paulo]

 

Depois da realização do Surfe de Lona dentro do programa de residência artística no espaço Ateliê Aberto, partimos para um projeto maior, levando as possibilidades de representação ao interior do nosso pais, ou pelo menos levar à cidades que não possuem águas salgadas, seguindo a máxima:

O SERTÃO VAI VIRAR MAR.
A parceria com o Ateliê Aberto, não só potencializa toda a logística de um projeto como esse, mas principalmente atua em uma esfera que a muito tempo estava buscando. O TOUR como formato de exposição do projeto, repensa o campo de atuação do artista e como esse transita pelo cenário das arte visuais contemporâneas em real diálogo com a sociedade. Um formato como esse valoriza ou revaloriza o trabalho artístico diante do mercado, políticas públicas e instituições culturais enquanto OBJETO CULTURAL, possibilitando um outro tipo de negociação que não a somente a do objeto físico. No texto “Da paisagem trouvée ao território inventado: observações sobre os circuitos de arte contemporânea no Brasil”, publicado recentemente na edição OO da revista Tatuí, Newton Goto diz:

“Quando se fala em mercado de arte no Brasil, vale notar tratar-se de uma concepção ainda bastante retrógrada, calcada basicamente na venda do objeto artístico, geralmente de cunho também decorativo, numa relação na qual praticamente nem se cogita considerar o “valor de exibição” do trabalho intelectual do artista visual como o produto a ser negociado, o acontecimento cultural em si, independente da venda do objeto”
Esse parágrafo expressa bem o principio básico de um projeto como esse. Em uma das conversas que tive com a Samatha Moreira, no periodo de resiencia do Ateliê Aberto, perguntei a ela porque era tão difícil a negociação de performances, happenings, ações, desse tipo de acontecimento em geral. Lembro de ter comentado sobre como a música, consegue através de shows e apresentações desenvolver, negociar, um ato com começo meio e fim, pelo o qual na maioria das vezes o que se leva, o que se consome é o “valor de exibição” ao qual Newton Goto se refere. É claro que existem ressalvas em relação a industria fonográfica, ou ainda sobre as diferenças entre expressões artísticas como a música e as artes visuais, ou mesmo sobre a sociedade do espetáculo. Mas fica evidente que é possivel que o valor intelectual de tal acontecimento seja o produto a ser negociado.
Assim na mobilidade de um TOUR, tem-se uma ótima estratégia para a viabilização desse tipo de ação.
Para além disso o tour pretende servir de plataforma para outras ações, intervenções e afins, promovendo articulações conjuntas entre artistas locais, o projeto e espaços culturais.

Esse tipo projeto, de postura me deixa muito contente. Me permite caminhar por caminhos menos óbvios, me permite encontros menos previsíveis, e sem dúvida nenhuma, permite que a ESPONTANEIDADE seja vivenciada como grande potência dentro da experiência de ARTE.

http://www.youtube.com/watch?v=UXuSF8MQKGs

 

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