Quanto Como Um Desenho | André Favilla

30/01/2009

30 de janeiro a 21 de fevereiro de 2009
Artista: André Favilla [São Paulo]
Som abertura: Carol Tonetti e domdasá

 

 

Em Quanto Como Um Desenho, André Favilla apresenta nove desenhos, de quatro séries diferentes, realizados em computador e finalizados em impressora jato-de-tinta de grande formato.
Seus desenhos propõem uma investigação sensorial de modos possíveis de visualidade na cultura tecnocientífica onde o mundo é entendido como o produto de configurações transitórias de padrões de informação.
Do ponto de vista processual, os desenhos são realizados em três etapas: apropriação de um desenho ou fotografia já existente que pode ser ou não de autoria do próprio artista; redução ou síntese deste desenho ou fotografia em unidades elementares; recombinação destas unidades elementares por meio de deslocamento, multiplicação e/ou permutação.
Em Planos Abertos , trabalho realizado especificamente para a exposição, o artista utiliza como ponto de partida uma matriz com 20 retângulos, realizada em escala 1:1, em referência ao desenho dos caixilhos da janela da sala do Ateliê Aberto. Embora a trama gráfica que resulte do processamento da matriz seja precisa e delicada, ela sugere a constituição de um espaço difuso, precário, irreconciliável. Neste sentido, a relação de Planos Abertos não se dá com a janela do Ateliê Aberto, mas sim com o que se vê através da janela, deslocado cerca de 60 cm para dentro da sala, na parede.
A exposição toma o espaço com outras séries inéditas como, Sol Lewitt @ Grade, Alvos e Condensação.

Os Trabalhos:

Planos Abertos é um trabalho “site-specific” realizado para a exposição Quanto Como Um Desenho que toma emprestado de uma série anterior, Planos (2006-2008), os procedimentos para a sua construção. Em Planos, a matriz geométrica que dá inicio à composição de cada desenho remete à investigação de Joseph Albers em sua imensa série Homenagem ao Quadrado.

Condensação toma partido das possibilidades de processamento digital de imagens fotográficas, mas recusa, ao mesmo tempo, os tipos de interferência mais comumente associados à fotografia digital: de um lado, o retoque, a correção, a limpeza ou a melhoria da imagem (image enhancement), de outro, a fotomontagem. O ponto de partida para o trabalho é uma imagem fotográfica de uma nuvem, isolada do fundo azul do céu. Inicialmente, o processamento aplicado à imagem pode ser definido como uma síntese, ou condensação: a redução de um todo às suas unidades moleculares. A multiplicação, realizada em seguida, cria nichos variados de relações espaciais aparentemente incongruentes, deslocando, como resultado, a lógica cartesiana de organização do espaço de representação digital.

A série Alvos apropria-se de fotografias pornográficas obtidas na Internet. Cada fotografia é processada graficamente de forma que somente os contornos da ação são preservados. Esta imagem é então aplicada sobre o desenho opaco de um alvo, cujo resultado é a produção de um precário equilíbrio entre atração e distração. Atração, na medida em que o alvo emite uma ordem com o objetivo de capturar a atenção do voyeur, direcionando o olhar, apontando para a ação e dizendo – é aqui! Distração, pois o alvo também dilui a possibilidade de apreensão do conteúdo pornográfico, afinal, esta apreensão pode resultar somente do esforço do observador em ajustar-se à tênue relação de contraste vigente entre figura e fundo.

 

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