Paisagem de delírio | Mariana Palma

03/05/2004

de 03 de maio a 12 de junho de 2004
Artista: Mariana Palma


A artista Mariana Palma inventa paisagens onde a relação homem/natureza [numa simbiose], aponta um território possível para re-configurar a experiência do homem contemporâneo – fragmentado e submerso na vivência das metrópoles. Com o olhar auto-exilado sobre a cidade, a artista desloca nossa atenção para o interior silencioso de suas paisagens. Identidade, memória, aparência, efemeridade – são questões colocadas nos trabalhos recentes da artista.

Em paisagem de delírio,  confronta a paisagem da cidade, que se deixa ver da janela do ateliêaberto, com a inventada: um jardim artificial formando um labirinto. O labirinto, como metáfora do embate individual perante a vida: dos desafios, dos medos, da dificuldade de saída, da luta travada com a própria experiência interna do indivíduo. Assim, o espectador é convidado a adentrar o espaço da obra por um caminho estreito.

A decisão em transpor a jornada pode ser tomada por atalhos, já que o centro está posicionado para o nosso alcance – a base branca vertical (resíduo das esculturas e dos monumentos) – apontando uma saída no campo da cultura e da arte.

Num tom acertado de ironia, a artista nos oferece uma flor desmaterializada, projetada por um jogo de espelhos – pura ilusão de ótica. Nesse trajeto, nos perdemos novamente nas certezas do que poderíamos encontrar. Não há mais centro, como também não há verticalidade para se depositar certezas na vivência contemporânea. Assim refazemos o percurso para resgatar o fio que nos faça compartilhar a subjetividade das nossas experiências.

Da janela emoldurada se vê postes, outras janelas, telhados, fios, edifícios, mais edifícios e uma porção do céu. A paisagem “estranha” da cidade, se funde ao repertório da artista para experimentar o caráter onírico e fantástico empregado nos seus trabalhos.

Texto de Reginaldo Pereira

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