Observações sobre o espaço e o tempo

04/08/2003

de 4 a 31 de agosto de 2003
Local: Campus Anália Franco e Campus São Miguel

Curadoria, produção e montagem: Samantha Moreira e Fábio Luchiari
Artistas: Raquel Garbelotti, Rosana Paulino, Odires Mlászho, Mônica Nador, Jorge Menna Barreto, Daniel Acosta, Daniel Lima, Jurandy Valença, Marilá Dardot, Marcelo Cidade, Kiko Goifman, Jurandir Muller e Maurício Ianês.
Texto: Sylvia Furegatti - extraído do material da ação educativa

A mostra Observações sobre o Espaço e o Tempo apresenta-se ligada à vertente da arte contemporânea não somente pela seleção cautelosa dos artistas presentes, mas também pela noção de estreitamento temático encontrado entre a universidade e o pensamento criativo artístico pautado por campos culturais tais como a memória, as relações do espectador / usuário urbano com o espaço, a valorização de elementos do cotidiano e o efêmero de nossa atualidade.

Potencializa a geografia e o tempo do projeto de Comemoração da Universidade transladando-se de um campus para o outro, instigando o grupo de artistas a pensarem as relações dos seus trabalhos particulares com os dois territórios da universidade. Assim, o resultado dos projetos encontra em sua totalidade a noção de intercâmbio entre objeto / intervenção e a valorização do entorno.

Pode-se perceber nas propostas criadas pelos artistas a construção de um pensamento estético sobre as relações da instituição escola como espaço de habilidades, de memória, de troca e de questionamentos do mundo dado. Instalações, vídeos, performances, ocupações e objetos híbridos entre fotografia, pintura, escultura foram as formas técnicas encontradas pelo grupo de artistas para esse projeto.

Os meios escolhidos pelos artistas revelam a polaridade do objeto escultórico ligado direta ou indiretamente à site specific art (Marcelo Cidade, Daniel Acosta, Raquel Garbelotti, Jurandy Valença e Rosana Paulino), das ações performáticas em tempo real (Jorge Menna Barreto, Mauricio Ianês e Marcelo Cidade) ou pela imagem intermediada pela referência tecnológica (Kiko Goifman, Jurandir Muller, Marilá Dardot, Daniel Lima, Mônica Nador e Odires Mlászho).

Os trabalhos tanto ocupam salas de aula quanto se esparsam pelo campus optando inclusive pelos arredores da própria faculdade e por suas rotas de acesso. Escapam assim do abrigo ideal para o objeto artístico e do seu modo perceptivo mais convencional. Tal circunstância não poderia ser diferente já que o lugar do projeto implica, por sua simbologia, sua função e atuação na sociedade, essa exploração, que há tempos, é firmemente indicada nos processos criativos da arte contemporânea.

Daniel Acosta
propõe a questão da ambigüidade da vida urbana, dos resultados algo-funcionais que conseguimos com o mundo industrializado. Apresentando a escultura intitulada de “EAPP/UFP” (Estação Avançada com Paisagem Portátil/ Unidade Floresta Permanente) convida o público a confundir-lhe com um novo quiosque dentro do campus. O artista propõe essa leitura pensando em capturar, do seu trajeto original, o público cotidiano desses espaços. Suas dimensões, seu formato e material empregados agem como propulsores dessa possível identificação da escultura constituída a partir da mobilidade de articulações. As freqüentes dualidades de EAPP/UFP efetivam o questionamento que o artista propõe sobre a funcionalidade dos objetos que preenchem esse mundo, inclusive aqueles dos espaços universitários.

Além dessa apropriação físico-espacial a escultura-cabine criada por Acosta também nos instiga com a idéia de um mundo presente revestido agora pelas lembranças da natureza. A fórmica que imita a madeira, as plantas de plástico que imitam sua forma natural, os vasos de plástico que substituem o material barro refletem a ambigüidade que tanto interessa ao artista evidenciar. Quiosque ou jardim, os formatos tomados pela arquitetura portátil criada por Acosta buscam integrar-se ao fluxo das pessoas que utilizam os campi universitários.

Daniel Lima
trata da captação de imagens através do inesperado e da transposição aparente da ordem. De outra forma, também se interessa pela presença corpórea, pela ativação da consciência dos usuários dos campi universitários quanto ao jogo de forças travado pelos elementos da paisagem urbana cotidiana.

O artista é, ele próprio, tomado pela surpresa da movimentação do espaço escolhido para sua atuação no campus. O tempo pulsante entre um primeiro projeto criado e o definitivo Dentro e Fora ou As Árvores que Morrem x Os Que Vivem no Aquário que Daniel Lima propõe para o Campus Anália Franco, afirmou a idéia central de seu trabalho quanto à visibilidade e importância que todo cidadão comum dispensa às informações cotidianas as quais são expostos.

A instalação que realiza, com colaboração de José Roberto Shwafaty, Francisco Ivan Russo e Paulo César dos Santos, procura enfatizar uma área verde do campus que será substituída por novas construções. Uma grande maquete que, já há algum tempo, exibe o projeto, é incorporada à construção plástica desse projeto, passando a refletir agora uma projeção das árvores desse bosque próximo. Essa projeção que evidencia as árvores, também produz a silhueta dos edifícios da maquete ampliando a dualidade da mensagem. Ausência e presença, presente e futuro tornam-se elementos ativadores da instalação que contempla uma discussão crítica sobre a convivência entre o urbano e a natureza.

O trabalho é reelaborado na mesma freqüência das transformações das megacidades – pelas superposições de idéias, conceitos, prioridades e visibilidade no concorrido panorama do olhar público. O grau de atenção e consciência desses contextos de transformação do tempo presente constituem a poética desse projeto.

Para o campus de São Miguel Paulista Daniel Lima intervém na ordem das mídias internas com o projeto “Dia D”. Durante um dia e uma noite, introduz uma seqüência coordenada de sons, luzes e imagens que desestruturam a ordem normal dos acontecimentos no campus. Cenas projetadas, imagens de tv, sons e fluxos de luz interrompem o continuum das informações do lugar colocando à prova a atenção do público local para com os mecanismos de organização e informação típicos da instituição.

A idéia dos fluxos e da constituição espacial da paisagem, além dos corpos que a habitam, também interessa a Marcelo Cidade. Nos dois projetos que apresenta para os diferentes espaços o artista procura construir relações estéticas a partir da história atual dos lugares. Elabora ações performáticas socialmente questionadoras que se remetem à característica urbanística da zona leste, dos seus registros de acesso e condição de vida. Em Anália Franco realiza “Leste Maravilhosa” que tem início fora do espaço da universidade, na avenida Radial Leste, com a obtenção de uma das placas de trânsito que indicam o acesso para o Rio de Janeiro. Propõe uma relação entre as chamadas zona leste das cidades de São Paulo e do Rio. A zona leste do Rio de Janeiro institui-se, a partir do questionamento de Marcelo Cidade, no mar. Aproxima a cidade maravilhosa carioca do centro deslocado paulistano. A partir do registro fotográfico da placa fixada no mar carioca, Marcelo completa a ação com a exposição dessa imagem no dia da abertura do evento em São Paulo.

Em São Miguel Paulista Marcelo Cidade explora novamente a idéia de uma ação cíclica e provocativa com a pichação, por duas pessoas, das paredes de uma sala de aula. Trata-se do projeto “Sala C518”. A ousadia dos gestos das gangues de pichadores ou mesmo do trabalho dos grafiteiros, comum na paisagem do bairro, é trazida para dentro da sala de aula. No outro extremo, pouco depois dessa ação, uma terceira pessoa repara a primeira ação pintando as paredes com tinta látex. No sentido anti-horário essas opostas noções de expressão visual se sucedem. Pretende discutir com essa contínua construção-descontrução os conceitos formadores da pintura e da performance.

O trabalho de Mônica Nador explora a dessacralização do espaço museológico  ideal reservado para a pintura. Desburocratiza a pintura não somente quando se esquiva da suposta pureza do espaço do museu preferindo a rua, como também o faz pela pulverização da idéia de autoria. A partir da expansão da pintura sobre tela para as fachadas externas de bairros de periferia do todo Brasil, Mônica vem criando laços de relação afetiva com os moradores desses lugares que visita e realiza o projeto Paredes Pintura. A autoria passa a ser compartilhada a partir de então. Costuma declarar que é para essa qualidade de arte que dirige seu trabalho, para um senso de beleza que vem acompanhado de singeleza e da valorização da identidade das pessoas que habitam essas casas. Dos padrões islâmicos que usava no início desses projetos para os padrões mais pessoais do povo simples do Brasil, Mônica Nador tem recriado fachadas de residências com uma pintura exposta ao tempo, constituída pela participação do gosto estético desses moradores.

Para o projeto da Unicsul Mônica escolheu uma residência nos arredores do campus que se encontra em processo de restauração. Propõe para essa fachada a recriação de padrões cuja forma e cores retomam o antigo estatuto da casa original. Além da ação nesse local, que com certeza deixa sua marca visual e simbólica no bairro, o projeto da artista se estende para o espaço da universidade através da exposição de fotografias que contemplam todo o processo anterior e posterior à sua intervenção na casa.

Mauricio Ianês
realiza uma performance que está estreitamente vinculada à idéia da transmissão de conhecimento e energia que se verifica numa sala de aula. Emprega 100 minutos – tempo de uma aula dupla – para estetizar a troca habitual entre as pessoas, entre o aluno e seu mestre, de idéias, teorias, casos, etc.

Com a ajuda de Gisele Motta, também artista, posicionam-se ajoelhados, um em frente ao outro, vestidos de roupas brancas e descalços. Ao seu redor, as cadeiras da sala constroem um círculo que evidencia o foco principal da ação. Da cabeça dos dois constroem-se novelos de fio de cobre que se interligam.  A operação toda enfatiza o aspecto mais sacro da comunicação entre as pessoas, dado pelos pés descalços, pelo uso do branco e do metal cobre, sem que isso signifique, contudo, a construção de uma hierarquia nessa relação.

Marilá Dardot e Raquel Garbelotti propõem trabalhos que derivam da visão teológica, usando termos de Yve Alan Bois. Trazem para seus projetos a visão que sobrevoa o espaço da universidade. Convidam o espectador local a pensar num modo pouco usual de entender o espaço e a sua própria localização geográfica a partir de dispositivos de captação e registro da imagem que só podem ser viabilizados com a ajuda da tecnologia.

Marilá Dardot
propõe a captação do espaço aéreo para dentro da sala de aula. “Ar mais do que pensar” realiza-se a partir da instalação de um projetor no espaço interno de uma sala de aula que traz para dentro desse ambiente a imagem que se passa num trecho do céu em tempo real lá fora reproduzindo-a numa lousa branca. Contudo, para além dessa questão sobre a cultura cartesiana estabelecida pela visão humana, a artista trabalha com a idéia de uma contemplação silenciosa, algo como uma suspensão do tempo, como ela mesma diz, de uma paisagem sempre em construção.

Sua projeção opõe-se, diretamente ao tempo gasto nos ambientes fechados que habitamos na maior parte do nosso dia e que, como tal, são normalmente pouco reveladores das mudanças que acontecem do lado de fora.

Essa pequena corrupção da concentração do ambiente fechado age como possível extensor da percepção humana uma vez que discute a relação entre a arbitrariedade do movimento exterior e a sensação de fixação e imobilidade do tempo no interior de uma edificação.
Raquel Garbelotti discute a idéia da constante atualização do espaço urbano e das perdas de referência que se tem dos lugares que habitamos por conta disso. Em seu projeto “Memória Visual – Hiato” opta por imagens fotográficas que apresentam a geografia do lugar pela vista superior.

A partir dos padrões comerciais de empresas que captam imagens da cidade produzindo tomadas fotográficas com foco nos empreendimentos industriais ou na visibilidade de determinadas situações urbanísticas, nas quais destacam-se algumas edificações,  a artista pretende ampliar os referenciais da localização espacial do usuário desses edifícios universitários em questão distribuindo pelos campi universitários as novas imagens fotográficas captadas.

Contudo, considerando que a última atualização feita da região pelas empresas de fotografia aérea data de 2001 (as empresas são a Resolo e a Emplasa), permanece no projeto a questão da limitação dos mapas, da percepção que tem o usuário do movimento do tecido urbano e da conseqüente formação de memória derivada desse lapso.

A manipulação da imagem fotográfica é o contexto central da pesquisa visual do artista Odires Mlászho. Os cirúrgicos efeitos e texturas que ele propõe em seu trabalho nos fazem concluir a ação anterior à fotografia. Contudo, essa trama prévia é mais uma vez manipulada para encontrar como resultado final o extremo apuro técnico fotográfico no qual as imagens parecem saltar do plano.

Para esse novo projeto: “Série Espelho enterrado vivo” utiliza-se de livros antigos, documentos, cartazes, fotografias e demais registros, propondo uma combinação de referências que criam uma imagem híbrida. Junto com ela, necessariamente, formam-se novas identidades lapidadas pela conjunção das desconexas informações visuais que o artista rearticulou num mesmo corpo.

O processo dessa lapidação envolve a descolagem, a escarificação e a camouflage sendo essa última, até então, inédita no trabalho do artista. Essa interpolação, como ele mesmo intitula empregando um termo da Matemática, pontua de modo paralelo a outros sistemas de conhecimento do homem, os resultados visuais que o artista obtém.

Jurandy Valença
cria uma nova narrativa para a idéia de memória e do conhecimento guardado nos livros. Aplica em seu trabalho uma pesquisa que revela uma relação de afetividade com antigos procedimentos de encadernação, ornamentação e textura desses objetos.

O projeto “Biblioteca Particular” faz parte de uma pesquisa que vem sendo construída já há um ano pelo artista sobre o poder, o encantamento e a raridade dos efeitos praticados pelos antigos livreiros sobre o corpo desses objetos hoje disponíveis somente em sebos e bibliotecas antigas.

A ligação entre a universidade e a biblioteca é fato natural desde o seu surgimento na Idade Média. O livro serve assim a Jurandy no contexto desse projeto como ponte para as relações com o conhecimento que a instituição universidade representa para a sociedade.

Contando com uma seleção cuidadosa dessa matéria prima Jurandy parte das texturas e da memória contida nesses livros, em especial nas suas capas, para construir uma outra narrativa possível com fotografias em grandes dimensões. A seleção dos títulos, imagens referentes e contextos dos livros que se revelam nas fotografias da mostra para a Unicsul vai compreender uma seleção feita a partir das visitas do artista às bibliotecas da universidade.

Essa passagem da arquitetura do livro (corpo, matéria, formatos, etc) para uma imagem plana e fotográfica (mais próxima aos contextos da pintura) arbitra naturalmente uma outra forma de entender as informações contidas nos livros. A técnica fotográfica que ele emprega recebe o nome de Lambda com a qual explora certos efeitos recorrentes nas capas e nas lombadas com a aplicação dos douramentos, dos relevos sobre a trama de tecido ou couro o artista desloca a nossa atenção do objeto original levando-nos, via fotografia, a um território quase abstrato, mais próximo à pintura.

Busca nessas cicatrizes fabricadas tanto ornamentalmente quanto nas marcas deixadas pelo tempo (mudança de cor, esgarçamemto da sua textura e do brilho dos relevos) os elementos para a construção de imagens que operam uma nova beleza capturada pelo rigor fotográfico. Nesse sentido o trabalho de Jurandy se aproxima dos moldes dos livros de artista que personificam o tempo tal como descreve Paulo Silveira: O segundo grande grupo de ocorrências temporais no livro de artista é aquele em que o artista busca a personificação do tempo. (…) A obra, isso sim, procura a marca física do dano. (…) O objeto artístico exibe cicatrizes que são reais ou produzidas.

O “Manual de Técnicas Falíveis Para Destruição de Idéias” de Kiko Goifman e Jurandir Müller também revela a sedução dos livros. Contudo, percorre o tema pelo ardor da palavra escrita. Não pretendem sublevar a constituição sagrada da palavra ou do objeto livro, mas sim, provocar o costume arbitrário do poder que, em repetidas situações no mundo, propôs a queima de pilhas de livros e obras de arte. É a persistência desse objeto-conhecimento que interessa a eles especular.

O projeto consiste num vídeo em que páginas de livros em chamas, picotadas, queimadas por ácido, desmanchando na água indicam um fim e uma destruição que efetivamente não ocorrem. Da fumaça, das cinzas, desses processos destrutivos acabam surgindo intactas as palavras, resistentes às tentativas do seu apagamento.

O trabalho revela outro ponto do nosso contato com o poder e a simbologia assumida pelos livros que está no elemento fixo e durável da palavra impressa contraposta à efemeridade do processo da leitura. Michel de Certeau coloca que a escrita acumula, estoca, resiste ao tempo pelo estabelecimento de um lugar, e multiplica a sua produção pelo expansionismo da reprodução. A leitura não se protege contra o desgaste do tempo (nós nos esquecemos e nós a esquecemos); ela pouco ou nada conserva de suas aquisições, e cada lugar por onde ela passa é a repetição do paraíso perdido.”

Rosana Paulino
também se organiza plasticamente pela persistência da palavra. A pesquisa que a artista fez pelos campi com relatos de funcionários, professores e diretores além dos dados textuais históricos levou-a a pensar no processo da escola como tempo de aprimoramento. A escolha final elegeu a palavra título do seu projeto: Lapidar.

Rosana percebeu ainda uma forte atualidade na missão assumida pela educadora Anália Franco, que dá nome a um dos Campi, quando trabalha pela educação dos filhos de escravos propondo uma política de inclusão de minorias discutida até hoje.
Diante dessas informações e dos materiais e meios comuns em sua poética particular a artista elege cortes e flores de tecido, sucata, imagens fotográficas e digitalizadas para fazer com que passem por um aprimoramento, por um processo de lapidação tal qual aquele pretendido pela instituição.

Busca assim, aprimorar cada elemento dotando-o de uma nova significação, lapidando sua composição inicial para que o resultado final seja percebido como objeto artístico.  Como coloca a artista: “lapidar significa muito mais que transformar uma pedra bruta em potencial jóia. Lapidar é tornar algo mais valioso, é, através do trabalho e do pensar, transformar o mundo”.

De outra forma, o trabalho de Jorge Menna Barreto discute as idéias de acesso e confiabilidade. No projeto “Segredos”  emprega o artifício do simulacro. Nos dois campi vai desenvolver uma ação de cópias das chaves das salas de aula para todos os alunos e visitantes do projeto. A partir da instalação de uma máquina xerox que vai copiar a chave de entrada do lugar o artista começa um jogo de
co-responsabilidade com o público.  Coloca que a chave e seus segredos são um instrumento e um símbolo social de acesso. Oferecemos a chave de nossa casa somente à pessoa em quem confiamos. A mesma só faz sentido em combinação com o endereço a que se refere. Assim, pretende estabelecer essa idéia de troca com o público.
Um dos aspectos interessantes desse processo criado por Jorge está na idéia de uma continuidade do projeto que segue para a casa das pessoas que levaram a cópia da chave. De um modo muito sutil e sofisticado o artista transporta a usual expectativa pelo objeto ou ação artística através da co-responsabilidade do público que leva consigo o segredo da universidade. Passamos então, a imaginar o destino final dessas cópias.

O trabalho de Jorge Menna Barreto nos remete as considerações de Felipe Chaimovich sobre os dois corpos que tem a obra de arte: “O primeiro é físico, o segundo, místico. O corpo físico não a diferencia de outros objetos quaisquer. (…) O corpo místico é fazer da obra instrumento meditativo. A singularidade da arte é metamorfosear-se em reflexo de nossas próprias crenças diante dos olhos. Apresenta os valores de quem a contempla”.


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