Espelho | Marilde Stropp

16/06/2004

de 16 de junho a 6 de agosto de 2004
Artista: Marilde Stropp

 

Não há mais a parede real. Há apenas reflexos, pontos virtuais pertencentes ao espelho. Tem-se, então, milhões de fragmentos dos objetos que compõem, naquele momento, o espaço.

As imagens das pessoas e objetos no interior da sala multiplicam-se infinitamente, num jogo confuso de afastamentos e dimensões diversas. As imagens da rua entram pela janela, sendo igualmente captadas e trazidas para dentro da sala. Revelando o que não está presente. Trazendo o movimento dos carros, de suas luzes, para o silêncio do ambiente fechado da sala. Capta o acaso, abriga reflexos, revela o que não está presente.

A imagem ali exposta, não está congelada como em uma chapa fotográfica.

O originário e sua imagem, coexistem, assim como o sujeito contemplado e o espelho que o contempla.

Tem-se um objeto a espera do que subitamente aconteça. Cumprindo, assim, sua função de (apenas) refletir o que ali está presente. Metáfora da ausência viva e vibrante, presença ativa em pleno questionamento. Não há conteúdo, a ausência é o conteúdo que questiona o vazio. Instantaneidade, aqui/agora. E nos vemos ali, inversamente refletidos, fragmentados.

Tags:


Deixe um comentário