Conversa com Guilherme Fogagnoli

06/02/2016

[Ateliê Aberto] Como foi sua participação no Ateliê Aberto?

[Guilherme Fogagnoli] Minha participação no Atelie Aberto se confunde um pouco com o início da minha amizade com a Samanta Moreira em 2001.
Inicialmente fui público, logo após parceiro em projetos específicos, artista expondo no atelie, sócio ppor um curto espaço de tempo e curador e produtor de projetos encabeçados pelo atelie aberto.
Como artista efetivamente desenvolvi com o coletivo Studio Nomade o 12 horas de duração em 2003O Atelie sempre foi pra mim referência de arte contemporânea em Campinas. Até então a única e primeira referencia. Foi lá que aprendi o que era arte conceitual, site specific, arte tecnologia e impulsionado por isso comecei a desenvolver trabalhos com vídeo arte e live cinema, onde a Samanta e Maíra tiveram participação efetiva. O Atelie era o espaço de ensaio do nosso projeto o “Quebrando Rocha”, onde desconstruíamos e recontextualisávamos a obra do cineasta Glauber Rocha, diante do púbico. Após essa longa experiência adquirida no espaço acabei me interessando tanto por arte contemporânea que me mudei pra São Paulo pra ser produtor do Museu da Imegem e do Som de São Paulo, MIS-SP, por 4 anos e também trabalhando em projetos específicos em museus como o MAC-USP e MAM- SP.
Enquanto sócio, que foi aproximadamente por 6 meses em 2006, desenvolvemos o projeto “Ar Livre”, no Parque Ecológico em Campinas. Fui produtor da parte de live cinema e me apresentei com o Quebrando Rocha e o V-doc, coletivo do qual a Maira Endo fazia parte e também Julio Matos e Coraci Ruiz, onde editávamos ao vivo documentários pré captados. E em 2008 fui curador e coordenador de produção do DF, Depois das Fronteiras, no CCBB de Brasilia, projeto desenvolvido e captado pelo Atelie com a participação de 12 grupos de live cinema do Brasil inteiro.
Enfim, o Atelie Aberto influenciou totalmente minhas escolhas profissionais e me fez ter um olhar diferente sobre as coisas e sobre o mundo. Ele colocou poesia e um conceito estético que carrego até hoje em tudo que eu faço na minha vida.

[Ateliê Aberto] Qual projeto/ momento foi mais marcante?

[Guilherme Fogagnoli] O projeto mais marcante pra mim, foi o 12 horas de duração em 2003. E ainda tinha pouco contato com arte, acho que por isso me marcou tanto, pq tudo era uma nova experiencia pra mim, era puro, sem muito bla bla bla…era arte, simplesmente. Nunca gostei muito de “bula” pra contextualizar um trabalho conceitual e a partir desse trabalho pude perceber que eu estava certo, ninguem precisava ler o que estava exposto ou sendo feito ali, era uma experiencia sensorial, instintiva, como a arte deve ser pra mim.  Esse projeto foi criado pela Samanta Moreira e fomos convidados (Studio Nomade), para desenvolver um trabalho durante esse espaço de tempo, onde o público tinha acesso ao processo do trabalho. Acho que foi a primeira vez que ouvi falar em work in progress. Nascemos e morremos ali dentro. Como se nossa permanencia fosse nosso tempo de vida, e esse trabalho pra mim foi muito marcante. Até hoje me lembro perfeitamente de cada minuto que passamos ali dentro. Saudade….

Guilherme Fogagnoli
produtor e editor audiovisual


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