Um lugar ao sol. Gabriel Mascaro. still do filme

CINECAVERNINHA – Módulo I – Cidade | Alejandro Haiek e Francisca Caporali

24/04/2014

24 e 25 de abril

CINECAVERNINHA | mostra de vídeos + conversas abertas.

Curadoria: Alejandro Haiek (Venezuela) e Francisca Caporali (MG)

entrada gratuita

Fica inviável pensar as nossas cidade sem reparar o quão pouco fluidas e permeáveis elas são. A permeabilidade é um dos conceitos que permitem um ambiente construído ser vital, sendo representada pelo potencial de um espaço urbano oferecer possibilidade de caminhos através dele e para outros pontos da cidade.


As fronteiras tentam cada vez ser menos hostis, os prédios de luxo substituem suas antigas grades por enormes barreiras de ‘blindex’, exibindo à rua seus belos jardins, e com os condomínios de casas de luxo, desaparecem suas cercas com densa vegetação. Apesar de diminuírem o impacto visual que as grades causavam, e sugerirem uma integração espacial, as fronteiras continuam existindo, separando o dentro e o fora, o público e o privado, quem entra e quem não.

Foi a crítica a estas organizações espaciais que nos conduziram aos trabalhos audiovisuais que compõe esta mostra. Todos, cada um a sua maneira, mostram que a fronteira é sempre dupla, nunca uma única linha de separação ou transgressão que chega a um vazio, e sim uma linha que beira dois lados e que tem a função de inclusão e exclusão.

“Como pular uma cerca” mostra a dupla de artistas ‘thislandyourland’ explorando os limites quase invisíveis que separam a paisagem natural dos arredores de Belo Horizonte, dos condomínios de luxo. Já “Um lugar ao sol” evidencia uma fronteira de altimetria, existente mesmo entre os condomínios mais ricos, e mostra moradores de coberturas que se gabam de nunca serem vistos por outros. Em “Danger keep out”, um homem desrespeita regras e se expõe ao perigo anunciado, e “Newtown Creek” mostra a falta de cuidados com as fronteiras urbanas naturais. “Circunvalacion” trata de uma fronteira concreta e de um urbanismo contemporâneo que, assim como o blindex dos edifícios ricos, tenta separar áreas das cidades de uma maneira mais imperceptível, mas não menos eficaz.

Francisca Caporali e Alejandro Haiek

 

PROGRAMAÇÃO CINECAVERNINHA

 

24.04 | quinta-feira

PROGRAMA I (71′)| Sessões: 14h00 / 16h30 / 18h30

Um lugar ao sol. Gabriel Mascaro. still do filme

Um lugar ao sol de Gabriel Mascaro (71′ / Brasil, 2009)

O documentário aborda o universo dos moradores de coberturas de prédio das cidades de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. O diretor obteve acesso aos moradores das coberturas através de um curioso livro que mapeia a elite e pessoas influentes da sociedade brasileira. No livro são catalogados 125 donos de cobertura. Destes 125, apenas 09 cederam entrevistas. Através dos depoimentos dos moradores de cobertura, o filme traz um rico debate sobre desejo, visibilidade, insegurança, status e poder, e constrói um discurso sensorial sobre o paradigma arquitetônico e social brasileiro.

25.04 | sexta-feira

PROGRAMA II (41’29”)| Sessões: 14h00 / 17h00

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Como pular a cerca de thislandyourland*,  (05’28″/ Brasil, 2010)

Para realizar um passeio ecológico de domingo foram necessárias negociações, jeitinhos, invasões, pular muros e cercas para garantir o acesso a diversas áreas pertencentes a empresas, condomínios, mineradoras e reservas ambientais. Com a privatização das terras da região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), os acessos aos bens naturais são cada vez mais restritos. Temos dificuldade em ver o que é público como nosso. Podemos ver o que é privado como nosso?

*thislandyourland é formado pelas artistas Ines Linke e Louise Ganz e desenvolve trabalhos em diversas mídias que relacionam arte, natureza e cidade.

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Danger keep Out de Ricardo Mehedff e Francisca Caporali  (4′ / Nova York, 2009)

Em uma típica manhã, os percalços de um homem procura um lugar para ler seu jornal ao sol. O vídeo foi criado durante o workshop com a artista iraniana Shirin Neshat que lançou ao grupo o exercício de pensar bordas e fronteiras.

 

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Newtown Creek de Laura Chipley (10′ / Nova York, 2010)

Newtown Creek é uma das massas de água mais poluídas nos Estados Unidos. O vídeo revela um mundo oculto das águas que separam os distritos de Brooklyn e Queens. Newtown Creek foi inicialmente criado para compor a instalação “Forest” do coletivo Urban Homesteading Project.

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Circunvalación de Pilar Ortiz (22’01 / Chile, 2010)

Circunvalación mergulha nas novas vias urbanas de Santiago e seu impacto sobre a paisagem, bairros e comunidades. Viajando pelo Circunvalación Américo Vespucio, o vídeo explora através observação do espaço urbano e entrevistas com pessoas envolvidas e afetadas por este grande projet. Através da navegação de paisagens e narrativas, podemos evidenciar os conflitos decorrentes do grande desenvolvimento econômico do país e da forma como o espaço urbano é criado em Santiago (Chile).

25.04| sexta-feira

THE PUBLIC MACHINERY | 15h00 às 16h30

conversa aberta com Alejandro Haiek*

The Public Machinery se concentra na produção de novas práticas e modelos de gestão urbana, refletindo sobre o papel disciplinar do arquiteto, do urbanista e do artista na construção da cidade como um suporte físico e operacional da sociedade contemporânea. Propõe um inventário de ações que permitam trazer um novo olhar para a noção de mecanismos de cidadania e participação dentro do que chamamos de urbanismo tático, que é promovido por seus habitantes, e não unicamente por políticas públicas.

 

25.04| sexta-feira

CONVERSA ABERTA | 18h30

Bate-papo com os curadores da mostra, Alejandro Haiek e Francisca Caporali **

*Alejandro Haiek é diretor do LabProFab e do projeto The Public Machinery. Mestre em Projeto Arquitetônico pela Universidade Central da Venezuela, já atuou como professor convidado no Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Japão, México, Nova Zelândia, Porto Rico, EUA e Venezuela. Sua atividade está focada em projetos que promovem dinâmicas sociais e culturais, incluindo a arte, ciências aplicadas e inteligência local.

**Francisca Caporali é uma das fundadoras do JA.CA – Jardim Canadá Centro de Arte e Tecnologia, onde, atualmente, exerce a função de Coordenadora Artística. Desde 2012 é professora da Escola Guignard – UEMG. Francisca graduou-se em Comunicação Social pela UFMG, tendo concluído Máster em Arte, pelo MECAD / ESDi, em Barcelona e em Fine Arts, pelo Hunter College de Nova Iorque, com bolsa da American Association for University Women. Participou de várias residências como artista e gestora, além de ter organizado exposições e eventos, destacando-se o Noite Branca no Parque, em 2012.

 

VISITAÇÃO DA EXPOSIÇÃO MÓDULO I – CIDADE com SHN

seg a sex | 14h -19h | 08 de abril – 23 de maio

entrada gratuita

Para agendamento em outros horários e dias: atendimento@atelieaberto.art.br

Ateliê Aberto

www.atelieaberto.art.br

atendimento@atelieaberto.art.br

+55 19 3251 7937

Rua Major Solon, 911 – Cambuí

CEP 13024-091| Campinas – SP – BR

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