Andrea Brandão

CADERNO DE VIAGEM | Andrea Brandão [Lisboa/Portugal]

08/08/2013

Residência + Exposição

A proposta trata de entender a viagem pessoal e a viagem de expedição à descoberta de um território e uma cultura que não conhecemos ou julgamos conhecer. Da procura do conhecimento científico e técnico e do conhecimento sensível interior. Trata-se de explorar um hiato entre a realidade física e a realidade imaterial.

CADERNO DE VIAGEM
(…)
Não há neste trabalho um desfecho, um epílogo ou uma conclusão. A verdade não é o seu destino. Há antes um conjunto de motivos e relatos, suspensos entre o improvável e o quotidiano (…) essencialmente romper com o tempo cronológico para aceder ao tempo da escolha, o tempo que marca, que compromete e que cinde, um presente irredutível que tem em si a sua própria consistência. (…)
Que desejo de viagem é este? Sem pertença social definida, o viajante renuncia às belezas sublimes e às grandes ideias, entregando-se à terra. Viagem no tempo e no espaço, os motivos do viajante são diversos mas podem resumir-se a uma ideia simples: alhures. Outro lugar, outrém. (…)
Uma vez concluído o plano de viagem, queremos segui-lo. Contudo, após lançados, percebemos que ao invés de estarmos a cumprir um plano, apenas tateamos. A viagem é sem história. Ao contrário de uma imagem, a viagem procura o acesso à pura presença das coisas, às coisas tal como elas são. Mesmo que para isso tenha de deixar para trás a identidade atribuída, familiar e cronológica. Como será o explorador citadino do tempo contemporâneo? Que registos e dispositivos usa? A minha escolha está relacionada com a memória e com a sua imprevisibilidade: as polaroids, o desenho e a escrita (…). Fragmentos de um todo particular e geográfico. (…)
A memória é volátil, fugaz, mas não desaparece. O que está em causa não é uma experiência como a que é evocada pelos turistas nipónicos, que procuram fazer o registo do maior número de pormenores possível da sua viagem. Essa qualidade, de volatilidade, deve ser respeitada. Trata-se de explorar um hiato entre a realidade física e a realidade imaterial. Um exercício, como uma «arte da perda» [Elizabeth Bishop], acessível a todos.

Projeto de curadoria
A proposta de curadoria por Paula Almozara está fundamentada na possibilidade de realização da residência artística de Andrea Brandão na cidade de Campinas, como sendo um elemento fundamental para a construção da exposição no espaço expositivo do Ateliê Aberto. O processo leva em conta, desse modo, a experiência de «viver a cidade» e as questões inerentes a uma situação de deslocamento espacial. Trata-se nesse caso de uma oportunidade fundamental de troca de experiências e de pensar e sentir os lugares como espaços de conexões poéticas, por meio dos quais a artista pode constituir seu projeto, destacando o caráter exploratório de sua produção artística.
Nesse contexto, o convite feito a artista portuguesa Andrea Brandão também é parte de um processo de internacionalização dos projetos desenvolvidos pelo Ateliê Aberto, em especial o interesse em estabelecer uma conexão com artistas contemporâneos portugueses.

Programa:

08.08 – 13.09.13
_Residência

30.08.13 | 19h30
_Palestra
Local | PUC Campinas

13.09.13 | 19h30
_Abertura da exposição e conversa aberta

Curadoria
Paula Almozara

Realização
Ateliê Aberto
Fundação Calouste Gulbenkian

Local
Ateliê Aberto Produções Contemporâneas
Rua Major Sólon, 911 Cambuí 13024-091 Campinas/SP Brasil

 

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