A Coleção | Duda Miranda

24/10/2003

de 24 de outubro a 22 de novembro de 2003
Lançamentos:
Revista ITEM.6 – FRONTEIRAS
Número DOIS – O espectador no poder

 

Minha coleção é simples: não compro obras de arte, refaço-as. Para mim a arte é mental e, de certa maneira, toda vez que me deparo com um trabalho e sou afetado por ele, possuo-o ou sou possuído. (Hélio Oiticica: Bólide Saco 4 Teu amor eu guardo aqui) Assim sou levado a crer que a arte é tanto do artista quanto minha, ela é do mundo. E isso aprendi com a própria arte, criar é aprender, aprender é construir. (Bispo: 434 – Como é Que Eu Devo Fazer um Muro no Fundo da Minha Casa).

Minha coleção é composta basicamente desse aprendizado. Nada   a ver com manuais. Esquecer aqui é talvez o primeiro passo (Beuys: Noiseless Eraser). A coleção Duda Miranda é como uma série de proposições, cada trabalho uma proposição (Sol LeWitt: Wall Drawing Instruction). Minha escolha é guiada pelo método que inventei de colecionar, certos trabalhos exigem que os viva, que me entregue (Sophie Calle: Sleepers). Não acumulo (Waltercio Caldas: O Colecionador), experimento a repetição (Feliz Gonzalez-Torres: Perfect Lovers).

A coleção que leva meu nome vai ser considerada falsa por muitos – a maioria especialistas. (Antonio Manuel: Bode Preto). Mas não me importo. Aprendi que a potência da arte é a de afetar e ser afetado (Waltercio Caldas: Carbono entre Espelhos), o resto é sombra de poderes alheios (Iran do Espírito Santo: A Noite).

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