Carolina Krieger

6a Edição Festival Hercule Florence

10/05/2012

Galeria – Carolina Krieger [SP]  O espelho do avesso
RUA [ruídos urbanos amplificados] – Rogério Ghomes Nunca me lembro de esquece-lo
Curadoria e diálogos – Ana Luisa Lima [PE/SP] de PEITO ABERTO

 

Projetos simultâneos: na galeria Carolina Krieger mostra a série inédita O ESPELHO DO AVESSO com curadoria de Ana Luisa Lima, parte do projeto “de PEITO ABERTO”; Rogério Ghomes faz residência de uma semana e apresenta a obra  NUNCA ME LEMBRO DE ESQUECE- LO no RUA (Ruídos Urbanos Amplificados); na biblioteca acontece o lançamento dos catálogos dos Programas de Residência Artística Terra UNA: Arte e Sustentabilidade, Prêmio Interações Florestais/Prêmio Interacciones florestales en red e VER 2011 – Encontro de Arte Viva. Na ocasião Ana Luisa Lima, também residente em edições anteriores, estará presente para conversas informais.

Carolina Krieger | O espelho do avesso

Ensaio que trata da (in)distinção. É uma mirada que traz à tona a existência unidual das coisas do mundo: luz e sombra, primitivo e divino, beleza e fealdade, etc . Exposição composta por 15 imagens que dialogam entre si numa construção aberta de narrativa. As imagens trazem em si universos próprios ao tempo que se querem aproximados. Os símbolos existentes no ensaio também são uma possibilidade de encontro, já que estes entram em contado direto com o nosso lado subjetivo e logo em seguida trazem a unidade para uma superfície transmutada.

A pesquisa feita para este ensaio foi inspirada pelo trecho do livro “Memórias da Bananeira” de Isadora Krieger. Um desejo de ver materializado em imagens tal unidade descrita nessa narrativa:

“Quando vimos um cão correndo na beira, na beira do mar e na sua, sim, ela existe dentro de nós, é na beira que a contemplação começa, é na contemplação que começa a brecha, e a brecha, termina onde? E se eu te disser que nunca termina? E se eu te disser mais, disser que o nunca termina parece muito com a vez que vimos um cão correndo na beira, quando o mar virou ouro molinho, todo derramado, respingando dourado aqui e ali, quando vimos o fogo junto com a água, o acima com o embaixo, o lá longe com o cá perto, quando nos vimos com patas e vimos o cão com pernas, tudo misturado, quando vimos o acontecer tão imenso que o esticar nem sequer existia, absurdo e natural, assim.”

“O Espelho do Avesso” busca uma fenda para a consciência da unidade. Aquele sentimento claramente percebido nos momentos de epifania: um fragmento da eternidade.

Carolina Krieger - Vive e trabalha em São Paulo. Trabalhou com moda, foi estilista da marca Gêmeas e desfilou suas coleções na Casa de Criadores. Autodidata, em meados de 2009 passou a se dedicar exclusivamente à fotografia. Atualmente integra o Grupo de estudo, criação e edição em fotografia ministrada pelo curador Eder Chiodetto. Exposição coletiva “ Paulicéia 458 “– Lume Photos, São Paulo, 2012. Exposição coletiva “Projeto Imóvel“– Occupy Copan, São Paulo, 2011. Exposição“OSilênciome Contou” em conjunto como fotógrafo André Brandão – Galeria Cartel 011, São Paulo, 2011. Exposição no “Popporn Festival“– Gorila Café, São Paulo, 2011. Exposição coletiva “Subexposta“– Gorila Café, São Paulo, 2011.

Ana Luisa Lima | de PEITO ABERTO – diálogos

E o menino com o brilho do sol
Na menina dos olhos
Sorri e estende a mão
Entregando o seu coração
E eu entrego o meu coração
E eu entro na roda
E canto as antigas cantigas
De amigo irmão
As canções de amanhecer
Lumiar e escuridão
E é como se eu despertasse de um sonho
Que não me deixou viver
E a vida explodisse em meu peito
Com as cores que eu não sonhei
E é como se eu descobrisse que a força
Esteve o tempo todo em mim
E é como se então de repente eu chegasse
Ao fundo do fim
De volta ao começo
Ao fundo do fim
De volta ao começo

(Gonzaguinha em De volta ao começo)

O ESPELHO DO AVESSO
Por Ana Luisa Lima

-       Podemos parar um pouco?

-       Cansou de caminhar?

-       Estamos indo para onde? Se eu souber, talvez eu queira ir.

-       É disso que estou falando.

-       Mas você foi só silêncio desde que começamos a caminhar.

*

De repente somos assaltados por algum vazio e isso, por si só, parece ser motivo bastante de profunda angústia.

Mas há vazios e vazios. Uns que significam a falta e outros que estão inundados de presença. Naquilo que se sabe a falta, mora uma dor. Contudo, já se deu conta daquilo que se faz presente ainda que não se pode nominar? É neste vazio que a alma está abrigada: onde não se sabe quando começa e termina um prazer.

Que possibilidade é essa de existência sem distinção do sentir? Parece-me que há sempre uma animosidade que aguça o faro atrás de qualquer conflito que possa trazer de volta alguma sensação conhecida.

Saber-se quieto, apaziguado, é talvez o maior dos desafios. Não à toa é que insistimos nos abismos da fala. Há na fala o desejo de reação das coisas desconhecidas. Como se os verbos pudessem animar tais coisas a deixarem seus estados do inapreensível.

*

O menino largou a mão do pai e correu até o último banco do calçadão que dava para a praia. Pôs-se de pé no canto direito deixando as pontas dos dedos sobrarem para frente. Exatamente dali, ereto e sem se mover, seu olhar estaria completamente preenchido pelo mar.

O pai aproximou-se e perguntou: – Guilherme, o que está procurando?

*

Não são nas memórias onde buscamos conforto? Naquilo que temos como certo? Como se jogássemos uma âncora em algo que fora realmente vivido. Ativamos a memória em nossos estados de solidão. Aquele insuportável vazio de estarmos sozinhos e sem sentido. Errantes.

E o que é a memória senão um grande vazio? Imaterial e incorpórea. Ainda assim é nesse lugar sem matéria e sem corpo que depositamos sentido. E com isso, pensamos que também passamos a ter sentido.

Nesse instante somos o espelho do avesso. Como um mar que reflete o céu. A face que dá para fora é inquieta. Reflete e tem as cores do passado. No céu tudo é passado. Algo acontecido anos-luz dali. Face adentro tudo é presente, agora, vivo, pulsante. Quanto mais fundo, mais azul, mais escuro. São outros os abismos.

*

-       Não estou procurando nada, pai. Já achei.

-       O que achou?

Quieto e ensimesmado, Guilherme continuou ali de pé. Levemente irritado com a constância do pai em lhe perguntar: – vamos, me diga, o que achou? Foi quando se deu conta que talvez ter exatamente 7 anos, que lhe proporcionava ter exatamente aquela altura, permitia só a ele ver o que via.

*

Há tempos que tudo começou a ter necessidade de ser sabido, conhecido, nomeado, distinto: luz, sombra, céu, mar, verdade, mentira. Foi assim que nos afastamos do legado do Deus que nos fez indistintos. Somos feitos de tudo e de nada.

Como o mar, deixamos nossa face que dá para fora refletir o que em nós é passado. E nos furtamos de mergulhar cá dentro, onde tudo é novo, vivo, profundo e insondável. Somos feitos de superfície e abismo.

*

Certo dia, Guilherme havia perguntado ao pai o que era o horizonte. Seu pai imediatamente lhe disse, sem dúvidas, que era a linha que separava o céu e o mar. Mas, exatamente dali, ele tinha os pés sobre o horizonte. E o que via era céu-e-mar. Talvez, fosse algo que só ele poderia ver. Por isso que seu pai jamais soube lhe dizer em melhores palavras.

Rogério Ghomes | Nunca me lembro de esquece-lo

O Projeto RUA apresenta a obra Nunca me lembro de esquece-lo [2012] de Rogério Ghomes. Primeiro trabalho que o artista utiliza o neon como elemento construtor da sua imagem. O titulo originalmente é de uma série de fotografias as quais o autor se referencia a memória e saudade, tema recorrente de sua produção, dando continuidade a uma série de desdobramentos que vem produzindo, e que agora assumem a palavra na sua totalidade, deixando a imagem para o espectador realizá-la mentalmente a partir de suas vivencia e memórias.

Rogério Ghomes é doutorando no Programa TIDD (Tecnologias da Inteligência e Design Digital) pela PUC-SP e especialista em Fotografia pela UEL. Docente no curso de Design Gráfico da UEL e coordenador de pós-graduação em Fotografia e Direção de Arte  na UNOPAR. Participou de exposições individuais e coletivas nacionais e internacionais e possui obras em acervos como o MAM-SP, Coleção Pirelli MASP e McLaren, em Londres.

Residência Artística Terra UNA | Lançamento de catálogos

O programa de Residência Artística Terra UNA trabalha as dimensões culturais, sociais e ecológicas de forma integrada. Coloca diferentes em contato. Abre caminho com novas abordagens sociais e gera um ambiente onde descobertas podem acontecer. A integração que se dá entre cada artista com a população e com a cultura local, através do Ponto de Cultura e Sustentabilidade, e com o ambiente florestal, através da ecovila, potencializa a experiência estética e a produção do artista ao mesmo tempo que abre novas perspectivas para o público do ponto de cultura.

As ecovilas buscam novos paradigmas para uma vida sustentável. Sabe-se que é também a partir dos elementos da vida que insurgem as práticas artísticas atuais, conceitualizadas desde os anos 60 como movimentos de arte-vida. E que arte pode vir a surgir quando se vive esta integração social-ambiental?

O Ponto de Cultura e Sustentabilidade e a ecovila Terra UNA são pensados como núcleo irradiador das propostas, como local a ser investigado e ao qual se propõe novos diálogos sociais, sensíveis e sensórios.

No ano de 2011 o programa de Residência Artística Terra UNA foi contemplado com quatro prêmios públicos para fomento dos projetos de residência e suas três publicações terão lançamentos ao longo de 2012 por várias cidades do país. Os projetos foram: Arte e Sustentabilidade, Prêmio Interações Florestais / Prêmio Interacciones florestales en red e VER 2011 – Encontro de Arte Viva.

Arte e Sustentabilidade

Contemplado no edital Interações Estéticas – FUNARTE/MINC

Curadoria Beatriz Lemos // artistas: João Modé, Laura Lima, Marcos Cardoso e colaboradores de Terra UNA: Diogo Alvin, Emmanuel Kodja, Filipe Freitas e Jaya Pravaz

Prêmio Interações Florestais 2011

Terceira edição do prêmio de residência para artistas. O Prêmio Interações Florestais tem abrangência nacional e faz parte do Prêmio Interações Estéticas – Residências artísticas em Pontos de Cultura com financiamento da Funarte, Ministério da Cultura e Secretaria de Cidadania Cultura.

Prêmio Interacciones florestales en red

Terra UNA em parceria com o Centro Rural de Artes (argentina) e Residências en la Tierra (colômbia) realizam em 2011 um prêmio conjunto de residências para artístas em contexto natural nos 3 países. o projeto conta com o apoio do AECID através do residencias_en_red.

V::E::R 2011 - Encontro de Arte Viva

A segunda edição do VER reuniu em Terra UNA 21 artistas e críticos, além dos quatro articuladores e produtora do evento, durante o período de 22 a 30 de janeiro de 2011. Foram realizados trabalhos instalados, instantâneos, vivências, falas e oficinas, sem contar os espontâneos que ganharam vida sem notoriedade. Contemplado por edital da Funarte.

ARTISTAS PARTICIPANTES:

Arte e Sustentabilidade

Laura Lima (RJ), João Modé (RJ), Marcos Cardoso (RJ).

Interações Florestais 2011

AoLeo (RJ), Cindy Quaglio (SP), Cintia Clara Romero (Argentina), Daniel Salamanca (Colômbia), Deborah Cimini (MG), Elina Rodriguez (Argentina), Elvis Almeida (RJ), Fernando de Pádua (PA), Khalil Charif (RJ), Leandro César da Silva (MG), Marcone Moreira (PA), Marina Fraga (RJ), Oscar Abraham (Venezuela), Sebastían Cruz Roldán (Colômbia), Zé Carlos Garcia (RJ).

V::E::R 2011, encontro de Arte Viva

Ana Luisa Lima (PE), Bernardo Mosqueira (RJ), Bruno Caracol (Portugal), Bruno Jacomino (RJ), Bruno Miguel (RJ), Denise Alves (SP), Elcio Rossini (RS), Jairo dos Santos (MG), Jamil Cardoso (RJ), Kenny Neoob (RJ), Julia Pombo (RJ), Lucia Russo (Argentina), Luis Parras (BA), Luisa Nobrega (SP), Maicyra Leão (SE), Michel Groisman (RJ), Michelle Moura (PR), Pontogor (RJ), Rubiane Maia (ES), Shima (SP), Vitor Butkus (RS).

Organização do programa: Nadam Guerra, Domingos Guimaraens e Beatriz Lemos.

Programa de exposições e RUA [ruídos urbanos amplificados]
Abertura | 05.10.12 | 20h – 00h
Som | DJ Barata
Visitação | 08.10 – 16.11 | seg – sex | 14h – 20h ou com agendamento
Entrada gratuita

Local
Ateliê Aberto Produções Contemporâneas
Rua Major Sólon, 911 Cambuí 13024-091 Campinas/SP Brasil

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